Gastrenterologista do CHULN preside a federação europeia

segunda-feira, 17 janeiro 2022 10:49

Helena Cortez-Pinto, gastrenterologista do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte e professora da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, acaba de tomar posse como presidente da Federação Europeia de Gastrenterologia (UEG, na sigla inglesa). Depois de já ter sido pioneira em 2019, quando se tornou vice-presidente da UEG, a Prof.ª Cortez-Pinto torna-se assim também a primeira mulher a assumir a presidência desta federação com 30 anos de existência, um feito que muito orgulha o CHULN. Parabéns, Professora!

Médica especialista em Gastrenterologia, Helena Cortez-Pinto tem particular interesse pela área da Hepatologia, assim como pela Saúde Publica. É Diretora da Unidade de Hepatologia do Serviço de Gastrenterologia do CHULN, assim como do Laboratório de Nutrição e da Clínica Universitária de Gastrenterologia da Faculdade de Medicina de Lisboa

Para os próximos dois anos de mandato à frente da Federação Europeia de Gastrenterologia, Helena Cortez-Pinto estabelece como uma das suas prioridades a partilha de experiências entre as diferentes sociedades europeias de Gastrenterologia, como assume numa mensagem dirigida aos membros da UEG. “Visamos fomentar a multidisciplinaridade, networking entre disciplinas e aumentar as oportunidades para os membros das diferentes sociedades se envolverem em projetos comuns, tanto em pesquisa como em educação”, sublinha a nova presidente da UEG, que pretende ainda contribuir para a redução das desigualdades na área da saúde digestiva em toda a Europa através do “desenvolvimento e divulgação de guidelines e repositórios de fácil e livre acesso.

Helena Cortez-Pinto pretende ainda que a UEG, enquanto grande federação europeia de saúde digestiva, influencie a aplicação de fundos comunitários e as políticas europeias nesta área, em especial no que diz respeito à alimentação e ao álcool. Outro dos principais objetivos passa pela criação de grandes bancos de dados para doenças digestivas na Europa, “particularmente crítico em doenças raras e que anda de mãos dadas com iniciativas como a Rede Europeia de Referência (ERN)”.

Outro ponto importante diz respeito à diversidade e igualdade de género. “Considero particularmente valioso debater a conciliação da vida profissional e familiar e as medidas legislativas necessárias para a alcançar”, defende a especialista do CHULN. “É também fundamental explorar mais as desigualdades de género na saúde digestiva, destacando as diferenças nas manifestações clínicas, vias de encaminhamento, acesso a tratamentos, bem como fomentar a pesquisa nesta área”.

A presidente da UEG termina a sua carta de intenções com uma mensagem de multidisciplinaridade, dirigida a “profissionais de saúde aliados”, como farmacêuticos, nutricionistas ou biólogos, bem como enfermeiros, que têm sido cada vez mais ativos e importantes na área da saúde digestiva. “É meu objetivo facilitar e aumentar sua participação em diferentes atividades da UEG”, assegura Helena Cortez-Pinto, afirmando ainda querer fomentar as relações com África, à semelhança do que já acontece com instituições americanas e asiáticas. 

Fundada em 1992 a United European Gastroenterology é uma organização sem fins lucrativos que combina sociedades europeias preocupadas com a saúde digestiva, representando um total de mais de 30 mil especialistas de todos as áreas da Gastrenterologia