Médico do CHULN ganha Prémio João Lobo Antunes

sexta-feira, 18 novembro 2022 11:52

Pelo segundo ano consecutivo, o Prémio João Lobo Antunes, no valor de 40 mil euros e entregue pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa a internos por trabalhos realizados na área das Neurociências, vai para um médico do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte. David Berhanu, médico interno do Serviço de Imagiologia Neurológica do CHULN, é o vencedor do prémio em 2022 com uma investigação multidisciplinar, que envolve também os serviços de Oftalmologia e Neurologia  do CHULN e o Instituto de Anatomia da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, que pode revolucionar a abordagem clínica de doentes com pressão intracraniana

O objetivo do projeto Optic Nerve Anatomy and Imaging - A Surrogate for Intracranial Pressure, explica David Berhanu, é entender se as técnicas não invasivas, como a ecografia e a ressonância do nervo óptico, são bons métodos de diagnóstico e monitorização de pressão intracraniana. Este prémio permitirá aprofundar a investigação para uma solução mais segura para os doentes e com vantagens económicas para o Serviço Nacional de Saúde. “Se estes métodos providenciarem uma avaliação precisa da pressão intracraniana, poderiam evitar-se outros métodos de medição da pressão intracraniana, que são normalmente invasivos e com riscos associados para os doentes”.

O médico do Serviço de Neurorradiologia vai analisar a pressão intracraniana de diferentes doentes com recurso a ecografia e a ressonância do nervo óptico, comparando os resultados com métodos tradicionais usados para avaliar essa pressão. “As técnicas invasivas de monitorização da pressão intracraniana (PIC), nomeadamente as punções lombares seriadas e catéteres de monitorização invasiva, possuem riscos significativos. A existência de uma técnica neuroimagiológica, fiável e não invasiva, para avaliação da PIC poderia revolucionar a abordagem clínica destes doentes”, destaca David Berhanu no resumo do projeto (em anexo).

Joana Ferreira, especialista em Neuro-Oftalmologia no Serviço de Oftalmologia do CHULN e orientadora da tese de David Berhanu, adianta que esta investigação, que está na primeira de três fases de execução, se destina principalmente a politraumatizados em acidentes, doentes do sistema nervoso central ou com hipertensão craniana sem causa aparente atendidos em contexto de urgência ou nos cuidados intensivos. A confirmarem-se os seus benefícios, David Berhanu acrescenta ainda que, além das vantagens clínicas, este método pode também trazer impacto muito positivo para o SNS, já que a ecografia é uma técnica mais rápida e barata em comparação com os métodos invasivos. “Se comprovar-mos os benefícios desta técnica, queremos que haja um ‘David’ a executá-la em vários hospitais a nível nacional”, conclui Joana Ferreira.

Além de médico interno de Neurorradiologia, David Berhanu é também também assistente de Neuroanatomia na FMUL e a orientadora do projeto, Lia Lucas Neto, é diretora do Instituto de Anatomia da Faculdade de Medicina. Esta investigação resulta de uma estreita colaboração multidisciplinar do Instituto de Anatomia com os serviços de Imagiologia Neurológica, Oftalmologia e Neurologia do CHULN.

O Prémio João Lobo Antunes, no valor de quarenta mil euros e destinado a licenciados em medicina em regime de internato médico, visa estimular a cultura científica e a investigação clínica na área das neurociências, sem esquecer o princípio do importante neurocirurgião, antigo diretor do Serviço de Neurocirugia do CHULN e da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, relativo à humanização do ato médico.