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Terceira Reunião Extraordinária do Conselho de Administração - Departamento de Coração e Vasos

No passado dia 22 de março decorreu na Sala do Conselho de Administração do Hospital Pulido Valente - Centro Hospitalar Lisboa Norte (CHLN), a terceira reunião extraordinária do Conselho de Administração, destinada a discutir, exclusivamente, os projetos associados ao Departamento de Coração e Vasos. Para além dos elementos do Conselho de Administração e demais Assessores Técnicos, estiveram também presentes todos os Dirigentes e Chefias do Departamento de Coração e Vasos.

O Presidente do Conselho de Administração, Dr. Carlos das Neves Martins, iniciou os trabalhos, agradecendo a presença e a apresentação do projeto, salientando a importância deste momento desta discussão e reflexão conjunta, para a tomada de decisões estratégicas que irão determinar o desenvolvimento do Departamento.

Seguidamente, o Prof. Doutor Fausto Pinto, Diretor do Departamento, iniciou a apresentação do projeto, incidindo a mesma, no enquadramento, na missão, na visão, nos principais objetivos estratégicos, assim como nos recursos e infraestruturas. Numa segunda fase foi apresentada a proposta da criação de um Centro de Responsabilidade Integrada (CRI) para a área de Coração e Vasos.

O Departamento é composto por três Serviços, o de Cardiologia, o de Cirurgia Vascular e o de Cirurgia Cardio-Torácica e está envolvido em 3 Centros de Referência, Cardiopatias Estruturais, Hipertensão Pulmonar e Centro de Cardiopatias Congénitas. Tem como missão prestar cuidados de saúde de excelência na área das doenças cardiovasculares, colocando a tecnologia e a inovação ao serviço dos profissionais e dos doentes, e simultaneamente ministrar formação pré e pós-graduada e realizar investigação-base clínica e relacional. Como visão, assume a ambição de ser reconhecido como líder nacional e internacional na prestação de cuidados diferenciados de saúde, na formação e na investigação avançada na área cardiovascular. É importante salientar ainda que o Serviço de Cirurgia Vascular e o Serviço de Cirurgia Cardiotorácica, são atualmente os principais Centros Nacionais dedicados ao tratamento da Patologia Vascular e dos Aneurismas da Aorta, quer através da cirurgia convencional, quer através de cirurgia ou tratamento endovascular. Esta diferenciação resultou, há alguns anos atrás, e já com este Conselho de Administração, na criação de um Centro de Doenças da Aorta, chamado Lisbon Aortic Center, implementado em cooperação com instituições internacionais, e que permitiram ao Departamento estar na vanguarda da área da Patologia da Aorta.

O Departamento de Coração e Vasos do CHLN destaca-se pelas fortes sinergias entre os Serviços que o constituem e que permitem a concretização um conjunto de iniciativas e de ações integradas, promovendo uma equipa multidisciplinar, coesa e motivada, o que resulta num pioneirismo importante em matéria de intervenções em várias áreas, nomeadamente, na Cirurgia Minimamente Invasiva, na Cirurgia de Afinação Auricular Isolada por Toracoscopia, no tratamento endovascular da Patologia Aórtica Complexa, entre outras áreas da vertente cardiovascular, bem como na introdução quer de metodologias diagnósticas, quer de metodologias terapêuticas inovadoras. Está integrado naquele que é o primeiro Centro Académico de Medicina do País, o Centro Académico de Medicina de Lisboa - CAML, e possui uma forte componente de investigação, estando a decorrer um amplo conjunto de ensaios clínicos, estudos e também publicações científicas, que projetam e divulgam os projetos desenvolvidos pelos profissionais da instituição, no caso do Departamento.

Em termos estratégicos o Departamento definiu 4 objetivos, que considera basilares à sua atividade: (i) a consolidação e estruturação processual, administrativa e de infraestrutura, levando à sua otimização e modernização, (ii) o reforço da cooperação interdisciplinar e o incremento da investigação quer a nível clínico, quer a nível de gestão; (iii) o Departamento assumir-se na qualidade de hub Center para o tratamento das doenças cardiovasculares e (iv) a consolidação da qualidade de Centro de Referência, não só nacional, mas também internacional, através da criação do Centro de Responsabilidade Integrada (CRI).

Os objetivos do Departamento do Coração e Vasos passam pelo (i) incremento da qualidade e da eficiência dos cuidados prestados em ambiente intensivo; (ii) pelo aumento da qualidade e da eficiência de cuidados prestados em internamento, nomeadamente, do Serviço de Cardiologia; (iii) pela expansão da atividade cirúrgica, quer da Cirurgia Vascular, quer da Cirurgia Cardiotorácica e também, na Cardiologia de intervenção, Eletrofisiologia e Pacing, através da reestruturação do Bloco Operatório; (iv) a acreditação do Departamento de Coração e Vasos pela Direção-Geral de Saúde, processo já iniciado com o Serviço de Cardiologia; (v) pela melhoria da informação do Departamento, através da consolidação dos Sistemas de Informação departamentais; (vi) a promoção da acessibilidade, com o desenvolvimento de projetos de telemonitorização e telemedicina; a (vii) incrementação da telemedicina nas consultas de Cirurgia Vascular, nomeadamente no acordo existente com o Centro Hospitalar do Algarve e também extensível às consultas de Cardiologia nos Centros de Saúde e com outras áreas em que é prestado apoio departamental; (viii) a promoção da investigação e a inovação através do reforço do apoio prestado pelo Gabinete de Apoio à Investigação Científica (GAIC), o (ix) reforço do Centro de Cirurgia da Aorta, nomeadamente, com a alocação de recursos administrativos de apoio à atividade realizada; (x) o desenvolvimento do regulamento interno do Centro de Referência de Cardiopatias Estruturais, de acordo com aquilo que é o Decreto-lei 18/2017 e finalmente, (xi) a criação do Centro de Responsabilidade Integrada (CRI).

Sobre o CRI, o Prof. Doutor Fausto Pinto abordou os principais fatores que considera fundamentais ao seu desenvolvimento e que são o reconhecimento do Departamento de Coração e Vasos do CHLN, por parte da DGS, como Centro de Referência já para algumas áreas, como a Cardiologia de Intervenção Estrutural, as Cardiopatias Congénitas e a Hipertensão Pulmonar, bem como a necessidade de aumentar a eficiência da sua atividade com peso relevante nos seus recursos e na sua estrutura e na sua capacidade de inovação, de investigação e diferenciação e igualmente, a oportunidade de gestão que representa, com garantia de maior autonomia, melhor gestão dos recursos, maior capacidade para incentivar e reter os melhores profissionais e maior capacidade de centrar a sua prestação no doente.

Nesta ótica, o projeto do CRI foi apresentado como modelo que integra um conjunto de serviços centrados no doente e como tal, distribuído não por serviços mas em grandes áreas, e que implicará uma forte ligação quer a entidades externas, quer a serviços clínicos, serviços de apoio e comissões de apoio da instituição. Os principais eixos de desenvolvimento foram igualmente referidos: a descentralização de competências e de responsabilidades, a sustentabilidade, a transparência e código de ética, a articulação interna e cooperação, a contratualização: objetivos e monitorização, o sistema de avaliação e de incentivos, o sistema de qualidade e a investigação e ensino. Nesta apresentação, foram ainda salientados ainda alguns aspetos importantes do Departamento, relativos à produção científica: entre 2012 e 2015, foram incluídos, em ensaios e estudos clínicos, 854 doentes; em 2016, contabilizaram-se 117 projetos de investigação, iniciados 27 novos estudos, publicados 43 artigos e apresentados 87 abstracts, para além de toda a parte de representação do Departamento, quer nacional, quer internacional. Foi realçado em termos de agências de financiamento os quatro grants obtidos nos últimos dois anos, dois alcançados através da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e outros dois, através do “Programa Horizonte 2020” da Comissão Europeia (CE), sendo um deles, o primeiro ensaio financiado pela CE, na área cardiovascular.

Após esta apresentação, seguiu-se a intervenção do Presidente do CHLN, Dr. Carlos Neves Martins, que enalteceu o trabalho apresentado, partilhando com os presentes uma breve reflexão sobre o percurso e a evolução do Departamento até à atualidade, enfatizando a coesão e o espírito de equipa que lideram a estratégia de evolução departamental vivida até à data, bem como as fortes sinergias mantidas com a Faculdade de Medicina de Universidade de Lisboa (FMUL). Salientou a necessidade de serem realizadas mais duas reuniões subsequentes, onde serão discutidas e formalmente delineadas, as principais linhas estratégicas desta proposta, e que passam pela organização do Departamento e do Centro de Responsabilidade Integrada, que será o primeiro a nível departamental do país, pela localização e otimização de espaços, com vista a manter um espaço físico, o mais funcional e coeso possível e finalmente, o investimento a ser feito, em termos de recursos humanos, recursos tecnológicos e equipamentos e análise das respetivas fontes de financiamento. Devem ser ainda considerados outros fatores de extrema importância para o departamento e para a instituição: os efetivos ganhos em saúde advindos da implementação deste ambicioso projeto, a sua sustentabilidade futura e também, a sua eficiência.

O Dr. Carlos das Neves Martins salientou a importância da análise conjunta com o Departamento sobre duas áreas distintas de inovação organizacional de modelos de trabalho, com alguma diferenciação: a constituição do Centro de Responsabilidade Integrada de Coração e Vasos, mas igualmente, a sua forte participação departamental na criação e implementação do Centro Integrado de Diagnóstico e Terapêutica (CIDT). O CIDT estará disponível ao público no próximo ano, no Parque de Saúde Pulido Valente, com um novo modelo de prestação de serviço, com objetivos e estratégias diferenciadas. Em suma, afirma «outro modelo funcional de proximidade, de acessibilidade, do uso das tecnologias e da equipa de trabalho multidisciplinar, onde várias profissões e várias áreas convergirão.»

O Presidente do CHLN enfatizou a oportunidade que todo o contexto apresenta quer para o Departamento, quer para a instituição «Existe portanto, para além de um conjunto de oportunidades já conhecidas, esta nova oportunidade de traçar um caminho para dez anos, de 2020-2030. E temos a oportunidade de, se o traçarmos de forma célere e efetiva a estratégica e iniciarmos o investimento, estarmos rapidamente prontos para os desafios da liderança nacional da área de Coração e Vasos e para o nosso reposicionamento estratégico a nível internacional.»